Vivemos um momento que não foi pensado e nem planejado, muito menos desejado. As famílias e as crianças foram pegas de surpresa, de um dia para o outro, com a chegada do coronavírus.

Desafios

Muitos são os desafios: crianças dentro de casa, ensino remoto, famílias trabalhando em home office, tarefas domésticas, tv ligada, angústia pelo medo de contrair o vírus… tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Enlouquecedor!

Outro grande desafio passou a ser o retorno das famílias ao trabalho, com as escolas infantis fechadas e sem ter onde deixar as crianças a angústia aumentou. Chegou a se pensar que o retorno da Educação Infantil deveria acontecer para as crianças terem onde ficar enquanto os pais trabalham, mas para Raquel, do Portal Lunetas é “inviável o retorno da educação infantil neste momento em nosso país. Precisamos de um planejamento que preserve as condições sanitárias dos profissionais e também das crianças”, salienta a especialista em gestão e políticas educacionais.

Considerando o cenário que temos hoje – e que teremos ainda por um bom tempo – com as crianças em casa, protegidas do coronavírus, mas longe de suas rotinas escolares, pensamos em algumas dicas para passar por este período da melhor maneira possível.

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Dicas

Lembrem-se de que as crianças são crianças

Não espere que as crianças tenham atitudes adultas e bem pensadas, pois elas estão em processo de crescimento, aprendizagens e descobertas, desta forma tocam os objetos, querem saber como funcionam, têm energia suficiente para ficar um bom tempo pulando, ou cantando. Quando compreendemos como são as crianças, não exigimos delas o que elas ainda não são capazes de fazer.

Organizem uma rotina

Rotina dá para a criança segurança. A organização diária de saber que terá um horário para levantar, tomar café da manhã, brincar, olhar tv, almoçar, descansar, estudar, brincar, jantar, tomar banho, fazer suas leituras e dormir é muito benéfica.

Se a família organiza uma rotina, que pode inclusive ser ilustrada pela criança e fixada na geladeira, ela saberá que terá diariamente tempo para brincar, tempo para olhar seu desenho favorito, mas que terá também diariamente tempo para os deveres, como estudar e cuidar da higiene. Assim é mais fácil para a criança compreender que não está de férias, mas sim vivendo um momento diferente.

Hora de estudar

É fundamental que a criança tenha diariamente, de segunda a sexta, o tempo de estudo, independentemente da escola ter mandando ou não atividades. A família pode organizar algumas tarefas para que a criança compreenda a importância de estudar e entenda que as tarefas escolares acontecem agora em casa e que esse é um compromisso dela enquanto estudante. Algumas famílias deixam as tarefas acumularem e num determinado dia resolvem fazê-las, para “se livrar” ou “botar tudo em dia”. É claro que, assim, a criança sente-se sobrecarregada e cansa, acha aquilo tudo chato, o que provoca um caos: brigas, ameaças de castigos.

Façam combinados prévios.

É mais fácil cobrar das crianças, aquilo que foi combinado antes. Por exemplo, se no almoço a família quer que a criança coma e espere os adultos terminarem a refeição, combinem previamente. Se a família deseja que a criança guarde os seus brinquedos, antes de iniciar a brincadeira, deixem isso acordado. Como fazer? Abaixar até a altura dos olhos da criança e calmamente explicar a importância do acordo e ver se ela se sente em condições de cumprir. Assim é bem mais fácil cobrar.

Para que serve um castigo?

É muito comum a criança ser colocada para pensar, quando faz algo que a família desaprova, mas e o que ela pensa neste momento? A dica é: sentar com a criança e fazer questionamentos que a levem a refletir sobre a ação. Pode-se se fazer perguntas como: Por que isso foi feito? Não poderia ter sido diferente? Como tu estás te sentindo agora?

Tenham tempo juntos

A participação da família na vida das crianças não pode ser apenas nos momentos de cuidado, educação e alimentação. Tenham momentos de diversão juntos. Construam brinquedos, façam desenhos, cantem ou dancem, leiam muitas histórias, criem outras histórias, andem de bicicleta, façam um piquenique, montem uma barraca.

Tempo dos adultos

Tenham um tempo sem as crianças, pelo menos uma vez por semana organizem um tempo para um filme, para cozinhar e jantar, para pedir uma pizza e tomar um vinho sozinhos. É saudável para a relação do casal este momento em que ser pai e mãe não fica no primeiro plano. A criança também se beneficia!

Criem memórias afetivas

Pensem que um dia tudo isso vai passar e nós adultos vamos lembrar dos medos, da insegurança com relação ao trabalho, do cansaço de ter que dar conta de tanta coisa ou de ter que ficar em isolamento. Mas e as crianças? O que elas irão lembrar? Eu desejo que sejam criadas memórias afetivas e que elas lembrem do colchão no meio da sala com a família olhando filmes, de uma bolo feito com a ajuda delas, dos desenhos na parede do banheiro na hora do banho, da caça ao tesouro com um mapa cheio de pistas, do pezinho de limão cultivado pela família.

 

 

Sobre a autora:

Josiane Lucas é Graduada em Pedagogia (2008) e Pós-Graduada em Educação Infantil e Supervisão Escolar pela Faculdade Dom Alberto. É Graduanda em Psicologia (inicio em 2019). Referência na área da Alfabetização no Vale do Rio Pardo, Josiane atua como professora nos anos iniciais do Colégio Dom Alberto.

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